Quem não sabe o que são Peaky Blinders, não imagina o que anda a perder. Descubram aqui!
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The Leftovers
Não é novidade para ninguém que as séries são um dos meus hobbies favoritos. Não dispenso o acompanhamento de 3, 4 séries em simultâneo. Como o faço? Não é fácil, mas é tudo uma questão de organização. Claro que quando vier o próximo rebento sei que vou ter que abrandar durante uns meses, tal como aconteceu com o anterior.
Estou constantemente a descobrir séries novas, a acabar outras, a desistir de outras, o processo é contínuo e por norma umas vêm preencher o espaço que a anterior deixou vazio.
O problema é que por vezes a série foi tão incrível que não é fácil preencher esse espaço. Porque não é fácil encontrar outra que esteja à altura, ou porque aquela série nos tocou de uma forma especial.
Aconteceu-me poucas vezes: quando acabei Sete Palmos de Terra, Breaking Bad e agora The Leftovers.
The Leftovers, sente-se logo desde o início, é especial. São 28 episódios divididos por 3 temporadas e tem um tema no mínimo estranho: um fenómeno inexplicável que faz desaparecer, de forma aleatória, 2% da população mundial.
Desengane-se quem pensa que é uma série sobre o oculto, de fantasia ou ficção. O tema serve apenas de mote para o verdadeiro objetivo do exercício: tentar perceber como lidaria cada um deles, dos que ficaram, com um fenómeno que não se entende e a forma que cada um encontra para justificar ou ultrapassar a situação.
The Leftovers é fantástico na abordagem, na construção das personagens e na criação dos laços entre estas e o público. É tudo aquilo que Perdidos prometia e nunca conseguiu ser. É uma das séries mais incríveis que já vi. Em Portugal só passou no TV Séries, talvez um dia possamos ver num dos canais "normais"...
P.S.1: Melhor banda sonora de todo o sempre de todas as séries que este Mundo já viu nascer!
P.S.2: É a pior série para se ver quando se está a deixar de fumar...
Amy
Um documentário de cortar a respiração, pelo incrível talento natural de Amy Winehouse mas também pela constatação de um facto: Esta, de tão frágil, era uma alma perdida a partir do momento em que o Mundo a conheceu.
Uma história que, mesmo repetida vezes sem conta com vítimas diferentes, é sempre actual.
Fascinante, brutal, real, intenso. Obrigatório!
Uma história que, mesmo repetida vezes sem conta com vítimas diferentes, é sempre actual.
Fascinante, brutal, real, intenso. Obrigatório!
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Assim ganharam o Britain's Got Talent.
E digam lá se não é merecido? Que espectáculo... e que trabalheira deve ter sido!!
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The Walking Dead (Finalmente!)
Olho para o historial do blog e vejo que nunca me pronunciei devidamente aqui sobre The Walking Dead. Surpreendente, tendo em conta que é para mim uma das melhores séries de sempre, mas também explicável em parte pela falta de adjectivos para caracterizar a série. Quando uma série nos prende durante cinco anos (e os que aí vêm...) e nos acompanha durante tanto tempo, passa a fazer um pouco parte de nós. Foi assim com o Lost, com o How I Met Your Mother e com o Breaking Bad, tem sido assim também com o Game of Thrones. Tudo séries sobre as quais já falei aqui.
E porque é que The Walking Dead é tão especial, afinal? Na falta de adjectivos, dei-me ao trabalho de traduzir a carta de amor que o actor Nathan Fillion (Castle), fã incondicional, enviou à produção do programa. Porque está lá tudo e não é preciso acrescentar nem mais uma vírgula...
Se estiverem à procura de uma crítica ao último episódio, vão ficar decepcionados. Não há boatos sobre "O que acham que este personagem vai fazer?", aqui. Esta é uma carta de amor.
Vamos falar de entretenimento. Às vezes vejo televisão pela fuga, e outras vezes pela viagem. A diferença está em perceber se este programa me está apenas a distrair ou se consegue suspender a descrença e transportar-me para um plano de "e se...?". É certo que não vou ver uma série na próxima semana se não me interessa o que vai acontecer a seguir . Dêem-me uma história que faça perguntar a mim mesmo o que eu faria na mesma situação. Deixem-me preocupar-me com os personagens que conheci, vê-los aprender e crescer ou estagnar e falhar. Deixem-me odiá-los, deixem que eles me decepcionem. Deixem-me vê-los a fazer escolhas moldados pelas experiências.
Quando fico realmente interessado num programa, transcende a experiência daquela observação típica em casa, sozinho. Quero compartilhar a experiência, reunir os meus amigos. Compro bebidas e comida, às vezes até relacionadas com o tema do programa. Torna-se um evento. Deleitamo-nos com a emoção de ter esperado toda a semana, conversando sobre as partes que nos emocionaram, prevendo o que vai acontecer a seguir e porque é que pensamos assim. Trago para este rebanho novas pessoas que nunca viram o programa, e vejo a emoção crescer dentro deles apenas por estarem rodeados por outros que já são viciados. Reunimo-nos em frente à TV e baixamos as luzes. Toda a gente se põe numa posição confortável, fazemos aqueles comentários e piadas de última hora, e então silêncio. O show começa. A espera acabou. A semana inteira passada a falar sobre o último episódio acabou. A antecipação é saciada. A viagem continua.
Nos intervalos comentamos o que se passou, ofegantes, uns concordam outros não, isso não importa. O que importa é que estamos a ser manipulados para sentir. As emoções estão brotando do nada - nada mais que uma história bem trabalhada.
Obrigado, Walking Dead. Obrigado por suportarem o calor em Atlanta. Obrigado pelo sacrifício de se deslocarem a partir das vossas casas. Obrigado, elenco e equipa, escritores e produtores, fundição e fantasias. Obrigado, maquilhagem e departamentos de cabelo, médicos assistentes e todos os artistas que fazem de zombies. A todos vocês, obrigado.
Para aqueles que ainda não viram The Walking Dead, vocês não têm que estar interessados no apocalipse. Não precisam de desfrutar perguntando-se como iriam sobreviver se a sociedade, comércio, infra-estrutura, civilização no geral parou. Vocês nem têm que gostar de pensar sobre as melhores defesas contra os zombies para desfrutar de boas histórias ...
...mas ajuda.
E porque é que The Walking Dead é tão especial, afinal? Na falta de adjectivos, dei-me ao trabalho de traduzir a carta de amor que o actor Nathan Fillion (Castle), fã incondicional, enviou à produção do programa. Porque está lá tudo e não é preciso acrescentar nem mais uma vírgula...
Se estiverem à procura de uma crítica ao último episódio, vão ficar decepcionados. Não há boatos sobre "O que acham que este personagem vai fazer?", aqui. Esta é uma carta de amor.
Vamos falar de entretenimento. Às vezes vejo televisão pela fuga, e outras vezes pela viagem. A diferença está em perceber se este programa me está apenas a distrair ou se consegue suspender a descrença e transportar-me para um plano de "e se...?". É certo que não vou ver uma série na próxima semana se não me interessa o que vai acontecer a seguir . Dêem-me uma história que faça perguntar a mim mesmo o que eu faria na mesma situação. Deixem-me preocupar-me com os personagens que conheci, vê-los aprender e crescer ou estagnar e falhar. Deixem-me odiá-los, deixem que eles me decepcionem. Deixem-me vê-los a fazer escolhas moldados pelas experiências.
Quando fico realmente interessado num programa, transcende a experiência daquela observação típica em casa, sozinho. Quero compartilhar a experiência, reunir os meus amigos. Compro bebidas e comida, às vezes até relacionadas com o tema do programa. Torna-se um evento. Deleitamo-nos com a emoção de ter esperado toda a semana, conversando sobre as partes que nos emocionaram, prevendo o que vai acontecer a seguir e porque é que pensamos assim. Trago para este rebanho novas pessoas que nunca viram o programa, e vejo a emoção crescer dentro deles apenas por estarem rodeados por outros que já são viciados. Reunimo-nos em frente à TV e baixamos as luzes. Toda a gente se põe numa posição confortável, fazemos aqueles comentários e piadas de última hora, e então silêncio. O show começa. A espera acabou. A semana inteira passada a falar sobre o último episódio acabou. A antecipação é saciada. A viagem continua.
Nos intervalos comentamos o que se passou, ofegantes, uns concordam outros não, isso não importa. O que importa é que estamos a ser manipulados para sentir. As emoções estão brotando do nada - nada mais que uma história bem trabalhada.
Obrigado, Walking Dead. Obrigado por suportarem o calor em Atlanta. Obrigado pelo sacrifício de se deslocarem a partir das vossas casas. Obrigado, elenco e equipa, escritores e produtores, fundição e fantasias. Obrigado, maquilhagem e departamentos de cabelo, médicos assistentes e todos os artistas que fazem de zombies. A todos vocês, obrigado.
Para aqueles que ainda não viram The Walking Dead, vocês não têm que estar interessados no apocalipse. Não precisam de desfrutar perguntando-se como iriam sobreviver se a sociedade, comércio, infra-estrutura, civilização no geral parou. Vocês nem têm que gostar de pensar sobre as melhores defesas contra os zombies para desfrutar de boas histórias ...
...mas ajuda.
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Whiplash
Que filme, que dinâmica, que ritmo, que surpresa! Whiplash não estava nem por sombras nas previsões para os filmes do ano 2014, surgiu de mansinho e ninguém contava com ele... mas a verdade é que, como já li em qualquer lado, "só supreende quem nunca o viu".
J.K. Simmons tem finalmente um papel (e que papel!) à sua altura em cinema, e cria uma figura mítica, a de um professor tão obcecado pela perfeição, pelo trabalho duro, pela superação, que ele próprio ultrapassa os seus limites e os limites do aceitável.
Whiplash é um filme daqueles que prendem o espectador ao écrã do princípio ao fim, tanto que quando termina dá aquela vontade de começar a ver outra vez...
A maior surpresa de 2014 e um dos melhores filmes sobre música de sempre!
A Teoria de Tudo
Este ano vi sete dos oito filmes nomeados para os Oscars e a verdade é que gostei de todos. Mesmo assim, as minhas preferências vão para Birdman, Whiplash e The Theory of Everything.
Hoje falo deste último apenas por um motivo: Porque foi o que mais me sensibilizou. Sem nenhum motivo especial, sem que tenha havido um momento mais sentimental, apenas porque funcionou como um todo, de uma forma simples, sincera, honesta. Baseado na biografia de Jane Hawking (ex-esposa de Stephen Hawking), o filme retrata não só a evolução de um dos maiores físicos da História na ciência e na doença, mas também a forma como a mulher viveu toda esta odisseia.
Não é nada de extraordinário, não é uma biografia muito diferente das várias que conhecemos no cinema, mas talvez por ser uma história contada por ela não cai nos lugares-comuns do dramatismo excessivo pelo doente e do elogio sistemático de quem com ele conviveu. Conta a vida como ela é, como ela foi para estas duas pessoas e é perfeitamente convincente.
Nota ainda para uma escolha perfeita dos dois atores principais: Se Eddie Redmayne tem a performance de uma vida e um Oscar absolutamente merecido, Felicity Jones não é menos surpreendente!
Não é o melhor filme do ano, mas é certamente um dos que todos deveriam ver.
Hoje falo deste último apenas por um motivo: Porque foi o que mais me sensibilizou. Sem nenhum motivo especial, sem que tenha havido um momento mais sentimental, apenas porque funcionou como um todo, de uma forma simples, sincera, honesta. Baseado na biografia de Jane Hawking (ex-esposa de Stephen Hawking), o filme retrata não só a evolução de um dos maiores físicos da História na ciência e na doença, mas também a forma como a mulher viveu toda esta odisseia.Não é nada de extraordinário, não é uma biografia muito diferente das várias que conhecemos no cinema, mas talvez por ser uma história contada por ela não cai nos lugares-comuns do dramatismo excessivo pelo doente e do elogio sistemático de quem com ele conviveu. Conta a vida como ela é, como ela foi para estas duas pessoas e é perfeitamente convincente.
Nota ainda para uma escolha perfeita dos dois atores principais: Se Eddie Redmayne tem a performance de uma vida e um Oscar absolutamente merecido, Felicity Jones não é menos surpreendente!
Não é o melhor filme do ano, mas é certamente um dos que todos deveriam ver.
O bullying em '96, pelos Aerosmith
Hoje passei o dia sentado ao lado de alguém que tem um gosto musical extremamente apurado e que trabalha diariamente ao som de uma playlist invejável. Para mim foi um dia perfeito, pois nos tempos que correm não tenho tido tempo para ouvir a música que realmente gosto de ouvir, e tenho-me submetido quase sempre ao básico repetitivo das rádios portuguesas.
Ouvi músicas que já não ouvia há anos e outras que nem sequer me lembrava que existiam! E como é incrível aquela sensação de ouvir uma dessas e ir recuperando a memória ao longo da música, quase sentido o que se sentia na altura em que aquilo era o que estava na moda...
Uma delas foi esta incrível malha. Os Aerosmith foram para mim durante uns 4-5 anos a melhor banda do Mundo, e lembro-me claramente de ver este clip vezes sem conta no VH1 em 96-97. Nos tempos em que não havia Internets nem telemóveis e os clips do VH1 eram a nossa ponte para o mundo da música. Quando a palavra "bullying" ainda não existia mas o conceito já estava tão bem retratado num clip dos Aerosmith.
Hoje vibrei com Hole In My Soul, dos Aerosmith, como em 1996. Hoje sofri e vibrei com a vida deste rapazinho, como em 1996. Que maravilha.
NOTA: Só agora reparei que o vídeo não está completo, embora seja a versão que tem mais qualidade (vídeos dos anos 90... não há milagres!). Se quiserem ver como acaba o clip podem ver o último minuto deste:
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As próximas vozes?
Desta vez não tenho acompanhado os programas de Domingo à noite porque o tempo não dá para tudo.
No entanto, no passado Domingo verifiquei com alguma surpresa que os dois jovens que eu logo no início apontei como prováveis vencedores do The Voice e do Rising Star estão nas respectivas finais!
Será que eu tenho mesmo um dedo que adivinha e que vou acertar outra vez, como aconteceu com o Berg e com o Filipe Pinto? No Domingo veremos...
No entanto, no passado Domingo verifiquei com alguma surpresa que os dois jovens que eu logo no início apontei como prováveis vencedores do The Voice e do Rising Star estão nas respectivas finais!
Será que eu tenho mesmo um dedo que adivinha e que vou acertar outra vez, como aconteceu com o Berg e com o Filipe Pinto? No Domingo veremos...
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Música
O outro Mundial do Brasil
A loucura do Mundial está definitivamente instalada. Começa hoje, daqui a pouco, e está tudo a postos!
Mas antes de começar, sugiro que todos vejam este pequeno vídeo do comediante John Oliver que expõe de forma clara, objectiva e muito divertida tudo o que está por trás do tal fabuloso, brilhante, mágico Campeonato do Mundo de Futebol. Vale mesmo a pena ver...!
Mas antes de começar, sugiro que todos vejam este pequeno vídeo do comediante John Oliver que expõe de forma clara, objectiva e muito divertida tudo o que está por trás do tal fabuloso, brilhante, mágico Campeonato do Mundo de Futebol. Vale mesmo a pena ver...!
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Futeboladas
O meu hábito favorito
A Rrita desafiou, e foi só aceder ao ficheiro de excel onde tenho tudo organizado (há algo que eu não organize no excel?) para descobrir rapidamente quanto tempo já gastei em séries.
Um total de 28 séries, 61 dias, 5 horas e 15 minutos. Isto não contando com as que desisti de acompanhar a meio...
É uma ocupação de tempos livres como outra qualquer, para mim uma das melhores. Por isso não me arrependo nada, até pensava que tivesse sido mais tempo!
Desconfio é que nos próximos tempos vou abrandar um pouco o ritmo, por razões óbvias. Mas há-de haver sempre um espaço, por mais pequeno que seja, para matar saudades do meu hábito favorito...
Um total de 28 séries, 61 dias, 5 horas e 15 minutos. Isto não contando com as que desisti de acompanhar a meio...
É uma ocupação de tempos livres como outra qualquer, para mim uma das melhores. Por isso não me arrependo nada, até pensava que tivesse sido mais tempo!
Desconfio é que nos próximos tempos vou abrandar um pouco o ritmo, por razões óbvias. Mas há-de haver sempre um espaço, por mais pequeno que seja, para matar saudades do meu hábito favorito...
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Curiosidades,
Passos dos Outros
E também acabou esta...
É sempre complicado quando uma série chega ao fim. Principalmente quando se trata de séries que nos acompanharam durante muitos anos, e no caso desta foram uns oito anos. Oito! Fazem parte da nossa vida, e há personagens que certamente nunca vamos esquecer, porque acabam por nos marcar de uma maneira ou de outra.
O que é certo é que HIMYM terminou mesmo e deixa saudades. Apesar de uma última temporada que já não se justificava, de um certo "relaxamento de escrita" na fase final, o último episódio é para mim um dos melhores de sempre e é um bom culminar de uma grande viagem.
Parabéns aos criadores, e muito obrigado. Valeu a pena!
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Cinema / TV
Breaking Bad - o meu veredicto
Vi ontem, finalmente, o último episódio da última temporada de Breaking Bad. Não tenho dúvidas em afirmar que é do melhor que já vi em séries e recomendo vivamente.
Breaking Bad não é uma série "normal", não é fácil começar a apreciar realmente. Tem características muito específicas, principalmente a prioridade que é dada ao realismo. Nada é feito ao acaso, nada é precipitado - aqui todos os tempos são certos: as expressões, os discursos, as conversas, as pausas, a evolução gradual das personagens. Por estes motivos, às vezes dá a sensação de ser uma série "muito parada", principalmente para quem costuma ver à noite andes de dormir. É certo, por vezes custa acompanhar.
Mas é brilhante: Breaking Bad coloca em causa, a cada momento, os limites do nosso moralismo e as nossas certezas em situações limite. Faz-nos duvidar, mudar de ideias, perder a noção do bom e do mau, do certo e do errado.
E tem ainda uma vantagem adicional: Não me lembro de alguma vez acompanhar uma série que fosse evoluindo desta forma - Breaking Bad é sempre cada vez melhor. Para mim, o pior episódio é o primeiro da primeira temporada e o melhor é o último da última temporada!
Por tudo isto, insisto: Não desistam na primeira temporada. Vejam com calma, acompanhem a pouco e pouco. Sem nos apercebermos, Breaking Bad toma conta de nós.
Breaking Bad não é uma série "normal", não é fácil começar a apreciar realmente. Tem características muito específicas, principalmente a prioridade que é dada ao realismo. Nada é feito ao acaso, nada é precipitado - aqui todos os tempos são certos: as expressões, os discursos, as conversas, as pausas, a evolução gradual das personagens. Por estes motivos, às vezes dá a sensação de ser uma série "muito parada", principalmente para quem costuma ver à noite andes de dormir. É certo, por vezes custa acompanhar.
Mas é brilhante: Breaking Bad coloca em causa, a cada momento, os limites do nosso moralismo e as nossas certezas em situações limite. Faz-nos duvidar, mudar de ideias, perder a noção do bom e do mau, do certo e do errado.
E tem ainda uma vantagem adicional: Não me lembro de alguma vez acompanhar uma série que fosse evoluindo desta forma - Breaking Bad é sempre cada vez melhor. Para mim, o pior episódio é o primeiro da primeira temporada e o melhor é o último da última temporada!
Por tudo isto, insisto: Não desistam na primeira temporada. Vejam com calma, acompanhem a pouco e pouco. Sem nos apercebermos, Breaking Bad toma conta de nós.
A Gaiola Dourada
Tinha a clara sensação de que ia gostar do filme de que todos falam desde o início do Verão. A Gaiola Dourada é um sucesso de bilheteiras e é impossível não sentir o bichinho da curiosidade para, finalmente, perceber a que se deve tanto burburinho.
Finalmente conseguimos matar saudades das salas de cinema (e que saudades!!) e fomos ver o filme de Ruben Alves. Não decepcionou. Pelo contrário, acho mesmo que A Gaiola Dourada é uma vitória a toda a linha porque se mantém fiel aos seus próprios princípios: É simples, realista, honesto, divertido, familiar. E juntar a melhor actriz portuguesa (será que só agora se lembraram de repente que a Rita Blanco existe?!?) com o mais conceituado actor português é um mérito inquestionável.
Não faltam os super-intelectuais deste país a escrever que o filme é uma sátira infeliz, que é exagerado, que ridiculariza os portugueses. E estão errados, completamente errados. Porque o filme é extremamente eficaz na construção de personagens que nos são familiares: Toda a gente tem pelo menos um primo, um tio, um amigo que é exactamente igual a uma das personagens. Mesmo os super-intelectuais deste país, se pensarem bem.
Eu fico orgulhoso de um filme assim, porque me parece que em vez de nos envergonhar acaba por passar uma imagem muito positiva dos pequenos grandes portugueses que à custa de muito trabalho e dedicação foram por aí conquistar esse Mundo. Há 30 anos, como hoje, infelizmente.
Estava à espera de me rir, de me divertir, de gostar e não me desiludi. Não estava era à espera de me emocionar e no meio de toda aquela azáfama há um momento (o fado, o fado é terrível) em que engolimos em seco e sentimos que aqueles também somos nós, que aquela família também é a nossa família.
Finalmente conseguimos matar saudades das salas de cinema (e que saudades!!) e fomos ver o filme de Ruben Alves. Não decepcionou. Pelo contrário, acho mesmo que A Gaiola Dourada é uma vitória a toda a linha porque se mantém fiel aos seus próprios princípios: É simples, realista, honesto, divertido, familiar. E juntar a melhor actriz portuguesa (será que só agora se lembraram de repente que a Rita Blanco existe?!?) com o mais conceituado actor português é um mérito inquestionável.
Não faltam os super-intelectuais deste país a escrever que o filme é uma sátira infeliz, que é exagerado, que ridiculariza os portugueses. E estão errados, completamente errados. Porque o filme é extremamente eficaz na construção de personagens que nos são familiares: Toda a gente tem pelo menos um primo, um tio, um amigo que é exactamente igual a uma das personagens. Mesmo os super-intelectuais deste país, se pensarem bem.
Eu fico orgulhoso de um filme assim, porque me parece que em vez de nos envergonhar acaba por passar uma imagem muito positiva dos pequenos grandes portugueses que à custa de muito trabalho e dedicação foram por aí conquistar esse Mundo. Há 30 anos, como hoje, infelizmente.
Estava à espera de me rir, de me divertir, de gostar e não me desiludi. Não estava era à espera de me emocionar e no meio de toda aquela azáfama há um momento (o fado, o fado é terrível) em que engolimos em seco e sentimos que aqueles também somos nós, que aquela família também é a nossa família.
Oscars 2013 - Os vencedores
Não posso negar que fiquei um pouco desiludido com esta cerimónia dos Oscars. Se a ideia era aproveitar a boleia d'Os Miseráveis e da celebração dos 10 anos da vitória de Chicago para homenagear a música no cinema, a verdade é que podia ter sido feito muito, muito mais. Os números musicais foram medianos (A própria Adele parecia adoentada e a Zeta-Jones estava em evidente playback) e havia tanto para explorar, que pareceu haver algum desleixo na organização da cerimónia.
O estreante apresentador Seth MacFarlane não esteve mal, teve algumas tiradas engraçadas e sabe cantar e dançar, mas nunca entusiasmou verdadeiramente.
Quanto aos prémios em si... pode-se dizer que a maior surpresa talvez tenha sido Ang Lee a arrecadar o prémio de melhor realizador, embora tenha ficado sempre no ar a ideia de que se Ben Affleck tivesse sido nomeado como devia, este prémio (também) tinha sido dele.
Argo foi portanto o grande vencedor, arrecadando os prémios de melhor filme, melhor argumento adaptado e edição. Lincoln, por sua vez, ganhou apenas dois Oscars em dez nomeações e é o evidente derrotado da noite. Melhor esteve A Vida de Pi que conseguiu quatro estatuetas.
O melhor momento da noite: Meryl Streep e Daniel-Day Lewis em palco, juntos, por breves momentos. Os dois maiores actores vivos. Será que há alguém com a coragem de os juntar um dia numa longa-metragem? Onde é que eu assino para que seja possível?
O estreante apresentador Seth MacFarlane não esteve mal, teve algumas tiradas engraçadas e sabe cantar e dançar, mas nunca entusiasmou verdadeiramente.Quanto aos prémios em si... pode-se dizer que a maior surpresa talvez tenha sido Ang Lee a arrecadar o prémio de melhor realizador, embora tenha ficado sempre no ar a ideia de que se Ben Affleck tivesse sido nomeado como devia, este prémio (também) tinha sido dele.
Argo foi portanto o grande vencedor, arrecadando os prémios de melhor filme, melhor argumento adaptado e edição. Lincoln, por sua vez, ganhou apenas dois Oscars em dez nomeações e é o evidente derrotado da noite. Melhor esteve A Vida de Pi que conseguiu quatro estatuetas.
O melhor momento da noite: Meryl Streep e Daniel-Day Lewis em palco, juntos, por breves momentos. Os dois maiores actores vivos. Será que há alguém com a coragem de os juntar um dia numa longa-metragem? Onde é que eu assino para que seja possível?
Oscar 2013 - As previsões
É um ano em que há de tudo: Dos veteranos aos novatos, do musical à comédia, do drama à acção... o que torna mais complicado distinguir os melhores dos menos bons. Há prémios demasiado evidentes e outros em que todos os nomeados parecem ter hipóteses de ganhar. O que nos pode reservar a noite de 24 de Fevereiro?
Tudo começa com o dia 10 de Janeiro e com a enorme surpresa de não se ver Ben Affleck no lote dos nomeados para melhor realizador. As contas ficaram, desde logo baralhadas e foram complicando cada vez mais: A academia costuma emparelhar o filme com o realizador, e entre 9 nomeados para melhor filme Argo pareceu ficar logo em desvantagem. No entanto, desde aí, tem ganho todos os prémios da época. Parece um pouco uma provocação à Academia... que normalmente não se deixa influenciar. Tenho para mim que Lincoln é o favorito da Academia desde o início e que poderá ganhar esta corrida a Argo. Mas no fim de contas, a aposta mais segura é mesmo em Argo para melhor filme.
Já para realizador, e pelos mesmos motivos, a luta é acérrima. Sem Ben Affleck no lote, Spielberg sai bem posicionado apesar de nem sequer ter sido nomeado para os BAFTA, por exemplo! Ang Lee e Michael Haneke estão à espreita e podem surpreender.
Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway são os mais brilhantes do ano e vão ganhar os respectivos prémios. Menção honrosa para Hugh Jackman e Sally Field, mas nada mais do que isso.
Quanto à melhor actriz... há 3 favoritas: Jessica Chastain, Emmanuelle Riva e Jennifer Lawrence. O Oscar assentava bem a qualquer uma, e se Chastain partiu em vantagem a verdade é que Riva e Lawrence ganharam os prémios mais recentes e prometem luta até ao final...
A grande surpresa poderá ser o melhor actor secundário. Tirando talvez Alan Arkin, qualquer um dos restantes pode vencer - embora me pareça que a estatueta vá acabar nas mãos de Christoph Waltz ou de Tommy Lee Jones...
Venha o veredicto!
Tudo começa com o dia 10 de Janeiro e com a enorme surpresa de não se ver Ben Affleck no lote dos nomeados para melhor realizador. As contas ficaram, desde logo baralhadas e foram complicando cada vez mais: A academia costuma emparelhar o filme com o realizador, e entre 9 nomeados para melhor filme Argo pareceu ficar logo em desvantagem. No entanto, desde aí, tem ganho todos os prémios da época. Parece um pouco uma provocação à Academia... que normalmente não se deixa influenciar. Tenho para mim que Lincoln é o favorito da Academia desde o início e que poderá ganhar esta corrida a Argo. Mas no fim de contas, a aposta mais segura é mesmo em Argo para melhor filme.
Já para realizador, e pelos mesmos motivos, a luta é acérrima. Sem Ben Affleck no lote, Spielberg sai bem posicionado apesar de nem sequer ter sido nomeado para os BAFTA, por exemplo! Ang Lee e Michael Haneke estão à espreita e podem surpreender.
Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway são os mais brilhantes do ano e vão ganhar os respectivos prémios. Menção honrosa para Hugh Jackman e Sally Field, mas nada mais do que isso.
Quanto à melhor actriz... há 3 favoritas: Jessica Chastain, Emmanuelle Riva e Jennifer Lawrence. O Oscar assentava bem a qualquer uma, e se Chastain partiu em vantagem a verdade é que Riva e Lawrence ganharam os prémios mais recentes e prometem luta até ao final...
A grande surpresa poderá ser o melhor actor secundário. Tirando talvez Alan Arkin, qualquer um dos restantes pode vencer - embora me pareça que a estatueta vá acabar nas mãos de Christoph Waltz ou de Tommy Lee Jones...
Venha o veredicto!
Filmes... em série!
Zero Dark Thirty foi, para mim, a maior surpresa da temporada pela positiva. Estava à espera de algo demasiado documentado, em toada lenta e desinteressante, e a verdade é que Kathryn Bigelow consegue o inverso. Baseado em factos reais, sobre a caça e captura de Osama Bin Laden, o filme não podia deixar de ser controverso a vários niveis. Das (falsas?) cenas de tortura à forma (depreciativa?) como são retratados os muçulmanos, quase tudo serviu para criticar um filme que aborda um dos temas mais sensíveis para os americanos e para o mundo ocidental em geral. Imune a tudo isto, Zero Dark Thirty emerge como um dos melhores filmes da temporada pelo ritmo, o argumento e o interesse que desperta no espectador do princípio ao fim - apesar de já todos saberem como acaba...
Para Django Unchained a expectativa era enorme: Mais um clássico instantâneo de Tarantino, divertido, daqueles que só ele sabe cozinhar. E não desilude, pois claro. Um elenco extraordinário que dá vida a personagens incríveis do imaginário do realizador, uma banda sonora perfeita e um argumento daqueles a que Tarantino já nos habituou e que muitos tentam mas ninguém consegue copiar. Não é o melhor dele, na minha lista de filmes de Tarantino aparece até num quarto ou quinto lugar. Mesmo assim, é muito melhor do que a maioria do que por aí se faz...
Já The Master é uma desilusão. Depois de There Will Be Blood esperava-se muito da genialidade de Paul Thomas Anderson, mas este perde-se nos labirintos do seu próprio cérebro e traz-nos obras como este filme que em vários momentos parece que vai crescer mas nunca passa de uma mediania entediante numa história interminável sobre não se sabe ao certo o quê. Os desempenhos de Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman acabam por ser o mais interessante de um filme que não me deixa saudades.
Outro filme assim-assim é The Flight, com o incontornável Denzel Washington. As nomeações para argumento e melhor actor davam a entender que haveria algo de diferente aqui, mas não é o caso. Denzel está bem, mas Denzel está sempre bem. Dá sempre a sensação de que já o vimos neste papel uma mão-cheia de vezes noutros filmes, não se descobre nada neste The Flight que o diferencie dos outros filmes de acção tão típicos em que o actor costuma brilhar. Vê-se bem, claro, mas pouco mais.
Beasts of the Southern Wild é a grande surpresa nas nomeações aos Oscars de 2013. É a primeira longa-metragem de um jovem realizador, não tem qualquer actor profissional no elenco e foi feito com um orçamento muito curto. A partir daqui, um filme minimamente decente já seria uma vitória! Mas Beasts é mais do que isso: Aproveitando ao máximo os recursos, é de uma simplicidade e de uma honestidade desarmantes, é inteligente e perspicaz. O mundo pelos olhos de uma criança, a vida através da pureza de um jovem coração. Sem ser fantástico, é uma bela surpresa e deixa um sorriso nos lábios até dos mais cépticos.
E por fim, Lincoln. O filme com mais nomeações para os Oscars acabou por ser o último que vimos. E é o que tem mais" matéria de Oscar", no fundo. Começa por ter o melhor actor vivo (Daniel-Day Lewis) num desempenho assombroso como Abraham Lincoln, a viver o drama de ter que escolher entre o final de uma Guerra Civil e a aprovação da emenda que finalmente viria a abolir definitivamente a escravatura. Juntando a isto um dos realizadores mais aclamados de Hollywood (Spielberg), uma banda sonora à altura e um argumento leve e facilmente perceptível, Lincoln é um daqueles que serão lembrados, vistos e revistos por muitos anos. É muito bom, sem dúvida. O melhor? Talvez...
Seis Sessões
Um homem que contraiu poliomielite em criança e que vive praticamente num pulmão de ferro decide aos 38 anos perder a virgindade. Para tal conta com um Padre com quem vai desabafando e com uma terapeuta sexual especializada que o guia nos caminhos de descoberta do corpo e da relação sexual.Seis Sessões é baseado em factos reais, na história de Mark O'Brien que, apesar da grave doença, foi poeta, jornalista e fervoroso activista pelos direitos dos deficientes físicos. Vencedor do prémio especial do Júri no Festival de Sundance, tem como principal mérito as prestações extremamente corajosas de John Hawkes e Helen Hunt nos papéis de O'Brien e da terapeuta Cheryl Cohen-Greene.
Apesar de alguma inconsistência no enredo e na caracterização das personagens, Seis Sessões vale muito pela qualidade dos protagonistas - a nomeação de Helen Hunt para o Oscar de Melhor Actriz é justíssima e a não-nomeação de Hawkes para Melhor Actor é quase um escândalo.
E sim, é neste filme que há nus frontais. Seus perversos.
Guia para um Final Feliz
É o "guilty pleasure" da maioria dos críticos este ano. O novo filme de David O. Russel recebeu oito nomeações para os Oscars e passou a ser um dos obrigatórios da temporada.
Guia para um Final Feliz acompanha a vida complicada de Pat Solatano (Bradley Cooper) que, após oito meses numa instituição para doentes mentais por ter agredido violentamente o amante da sua mulher, é resgatado pela mãe para tentar uma nova vida na casa dos pais. Pelo caminho, Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), jovem viúva também problemática, que se oferece para o ajudar a reatar a relação com a mulher, não sem pedir algo em troca.
Mas o que faz de Guia para um Final Feliz um filme diferente das dezenas de comédias românticas que nos habituámos a ver em tardes de fim-de-semana? Não muito, na verdade - e daí a supresa de tão boa aceitação pela crítica. Há efectivamente um tema diferente e mais complexo na abordagem, a problemática das doenças do foro psíquico e talvez esteja aqui o maior mérito de Russel: o tom tragico-comico que se mantém ao longo do filme, derivado das atitudes de doentes bipolares ou obsessivos compulsivos transmite ao espectador um misto de sensações que não permite o riso desenfreado mas que também não resvala para uma maior tristeza em várias situações. Também é verdade que o elenco está muito acima da média para um filme do género. O problema é que quando o realizador tem que decidir criar algo de realmente diferente não tem a coragem necessária e escorrega para a banalidade - o que é, realmente, uma pena.
Guia para um Final Feliz vê-se bem, vê-se muito bem. Mas as oito nomeações para os Oscars são um claro exagero (principalmente as de O.Russel para Realizador e Jacki Weaver para Actriz Secundária), e não me espanta que daqui a uns anos seja o filme preferido dos canais portugueses para as tardes chuvosas de Domingo...
Guia para um Final Feliz acompanha a vida complicada de Pat Solatano (Bradley Cooper) que, após oito meses numa instituição para doentes mentais por ter agredido violentamente o amante da sua mulher, é resgatado pela mãe para tentar uma nova vida na casa dos pais. Pelo caminho, Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), jovem viúva também problemática, que se oferece para o ajudar a reatar a relação com a mulher, não sem pedir algo em troca.
Mas o que faz de Guia para um Final Feliz um filme diferente das dezenas de comédias românticas que nos habituámos a ver em tardes de fim-de-semana? Não muito, na verdade - e daí a supresa de tão boa aceitação pela crítica. Há efectivamente um tema diferente e mais complexo na abordagem, a problemática das doenças do foro psíquico e talvez esteja aqui o maior mérito de Russel: o tom tragico-comico que se mantém ao longo do filme, derivado das atitudes de doentes bipolares ou obsessivos compulsivos transmite ao espectador um misto de sensações que não permite o riso desenfreado mas que também não resvala para uma maior tristeza em várias situações. Também é verdade que o elenco está muito acima da média para um filme do género. O problema é que quando o realizador tem que decidir criar algo de realmente diferente não tem a coragem necessária e escorrega para a banalidade - o que é, realmente, uma pena.
Guia para um Final Feliz vê-se bem, vê-se muito bem. Mas as oito nomeações para os Oscars são um claro exagero (principalmente as de O.Russel para Realizador e Jacki Weaver para Actriz Secundária), e não me espanta que daqui a uns anos seja o filme preferido dos canais portugueses para as tardes chuvosas de Domingo...
Os Miseráveis
Ah, os musicais, os musicais... é provavelmente o estilo mas controverso do cinema. São muitos os que apreciam um bom musical, serão muitos mais os que não o suportam. Eu, embora fã incondicional da magia dos musicais, compreendo perfeitamente quem não gosta, e aceito-o. Compreendo que para quem não é apreciador não faça sentido estar uma personagem a dormir e outra a cantar-lhe aos ouvidos de uma forma que "na vida real" daria certamente origem a discussão e pancadaria. E a verdade é que até me divirto um pouco com esta incompreensão...
Os Miseráveis não foge à regra. É totalmente cantado (para quê mentir?) do princípio ao fim, e muito bem cantado. O realizador Tom Hooper arrisca aqui utilizando um novo método em que os actores cantam para a câmara sendo seguidos num auricular pelo acompanhamento em piano, ao invés do tradicional cantar previamente e depois fazer playback. E a fórmula, no geral, resulta. Os Miseráveis passa por várias fases: Umas fabulosas, outras assim-assim. Embora o elenco seja quase todo excelente (Hugh Jackman, aplausos!!!), Russel Crowe parece sempre deslocado. Não é, de todo, um cantor e espero sinceramente que nenhum dos fãs incondicionais d'O Gladiador tropece neste seu Javert que canta como um tenor enquanto empunha a espada...
É uma grande produção, um bom filme um pouco longo demais mas que envolve o espectador em vários momentos brilhantes, e há um momento perfeito de cinema. Um momento de cinco minutos, o momento de Anne Hathaway que é um dos mais fabulosos que eu já vi, senti, vivi numa sala de cinema. Daqueles momentos que valem um Oscar, uma carreira, uma vida!
Neste caso é fácil: Quem gosta de musicais, deverá gostar d'Os Miseráveis. Quem não gosta não vai aparecer por lá de certeza, por isso...
Os Miseráveis não foge à regra. É totalmente cantado (para quê mentir?) do princípio ao fim, e muito bem cantado. O realizador Tom Hooper arrisca aqui utilizando um novo método em que os actores cantam para a câmara sendo seguidos num auricular pelo acompanhamento em piano, ao invés do tradicional cantar previamente e depois fazer playback. E a fórmula, no geral, resulta. Os Miseráveis passa por várias fases: Umas fabulosas, outras assim-assim. Embora o elenco seja quase todo excelente (Hugh Jackman, aplausos!!!), Russel Crowe parece sempre deslocado. Não é, de todo, um cantor e espero sinceramente que nenhum dos fãs incondicionais d'O Gladiador tropece neste seu Javert que canta como um tenor enquanto empunha a espada...É uma grande produção, um bom filme um pouco longo demais mas que envolve o espectador em vários momentos brilhantes, e há um momento perfeito de cinema. Um momento de cinco minutos, o momento de Anne Hathaway que é um dos mais fabulosos que eu já vi, senti, vivi numa sala de cinema. Daqueles momentos que valem um Oscar, uma carreira, uma vida!
Neste caso é fácil: Quem gosta de musicais, deverá gostar d'Os Miseráveis. Quem não gosta não vai aparecer por lá de certeza, por isso...
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