Dos amigos

Isto da amizade tem que se lhe diga. Pelos vistos. É que para mim a amizade sempre foi algo tão natural, tão simples, tão objectivo que me faz confusão a forma como se pode complicar o que não é suposto ser complexo.

Quando penso em amigos a conclusão óbvia a que chego sempre é a de que eu, efectivamente, filtro os meus. Não de uma forma consciente, não se trata de elaborar um documento em excel em que atribuo pontuações e médias de valores às pessoas que conheço, não é uma filtragem qualitativa ou quantitativa sequer - é, talvez, uma filtragem temática... Há aquele amigo com quem acabo sempre por falar de relações e casamentos, o outro com quem falo invariavelmente de cinema, aquele com quem desabafo sobre problemas profissionais, aquele outro com quem discuto música...

É impensável para mim ordenar os meus amigos do melhor para o pior (já agora, o que é um "pior amigo"? Se existe um melhor não deve haver também um que fica em último na escala? E esse é mesmo amigo ou nem por isso?) ou definir aqueles de quem mais gosto. Há, apenas, pessoas com características diferentes e que se moldam às outras de acordo com a relação que ambos vão criando...

E, embora concorde que a amizade deve ser alimentada, acho que quando esta é sincera e verdadeira precisa de pouco mais do que uns telefonemas de vez em quando e uma noite de jantar, copos, confraternização e abraços quando calha. Porque os amigos são sempre amigos.

Tenho muitos amigos daqueles a sério, e orgulho-me disso. Apesar de o grande mérito ser deles por serem como são, a minha personalidade "camaleónica" contribui decisivamente para isso, é um facto. Agora, pôr essas amizades em causa - para mim - não é mais do que uma perda de tempo...

13 comentários:

Besaina H. disse...

Eu não me importo de ser o último dessa lista, o importante é fazer parte dela.

Abraço!

Pastilhas Júnior disse...

Já sabes que cá estarei. Sempre. A distância é apenas algo de permeio e como vamos observando, não é preciso estar incessantemente a "marcar a posição" de amigo. Nos bons e nos maus momentos são esses que nos mostram a verdadeira definição de amigo. Agora definir melhor ou pior? Isso é como a pergunta que se fazem às crianças: "Gostas mais do teu pai ou da tua mãe?"

Aquele abraço.

Dianinha disse...

Como diz a música do Sérgio Godinho

"com um brilhozinho nos olhos
guardei um amigo
que é coisa que vale milhões."

:)

BEIJO *

ricardo disse...

Relativamente ao assunto que lançaste, subscrevo-o na integra.
Aproveito para deixar uma frase de Fernando Pessoa que vem muito a propósito.

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Grande Abraço

Anónimo disse...

A amizade não se põe em causa e fazê-lo é mesmo uma perda de tempo.

Agora há aquela coisa da distância, que sendo uma das coisas mais relativas que há, não ajuda muito a não complicar o que é simples.

Sobretudo, porque aquela outra coisa do ficar responsável por aqueles que cativamos é uma tarefa que, embora possa não parecer, é complicada de gerir. O tempo não dá para tudo, nem para todos. E, ainda assim, a distância continua a ser relativa.

Vê todos os dias aparecer mais uma pedra nesse muro que cresce lentamente como que uma barreira sem intenção. Não faças nada, deixa o tempo passar, deixa-o fortalecer, ao sabor dessa distância. Quando deres por ela já não tens que te preocupar, já não tens maneira de ver o que está do lado de lado. A amizade não está em causa. Se for preciso essa barreira quebra-se num segundo.
Se calhar podes é pensar nas causas e nos motivos para isso acontecer. Na intencionalidade, na necessidade, nos acasos.

Mas acredito. Acredito que cada coisa acontece quando tem de acontecer. Cada relação faz sentido em seu tema. Tudo tem o seu momento próprio. E nada é eterno.

O importante é que haja equilíbrio. E o equilíbrio é uma coisa que não depende só de nós. Se calhar não nos devemos só preocupar com o nosso prato da balança...

Varandas disse...

Vocês são, obviamente, os maiores. :)

E pela primeira vez desde que criei o blog fico realmente curioso para saber a identidade de um anónimo... que me parece ter muito pouco de "anónimo" para mim, mas que não consigo descortinar de quem se tratará...

Mariana disse...

De facto gostei muito do post e dos comentários!

Concordo q há diferentes tipos de amigos, não amamos todos da mesma forma, eles não estão todos presentes com a mesma frequência e não falamos com todos sobre os mesmos assuntos.

Ja tive esta discussão várias vezes e costumam dizer-me q ninguém tem muitos amigos.

Para mim um amigo é uma pessoa q eu goste, com quem eu goste de estar e com quem me sinto bem.

Claro q importa se eles nos apoiam, se nos conhecem, se estão lá qd precisamos...
Mas qd fui 'obrigada' a estar longe dos meus, percebi q amigo é aquele q significa algo na minha vida. Seja o q for. E n preciso q todos os dias falem cmg ou estejam cmg. O q interessa é q qd estou longe dou por mim a pensar neles, independentemente do significam.

Obviamente q nem todos significam o mesmo, mas n ha um pior amigo. Há amigos diferentes e o mais importante é todas essas pessoas terem passado pela nossa vida e principalmente ainda estarem presentes.

N vale a pena avaliar. Vale a pena aproveitar :)

Que raio de comentário :P

Beijo*

Francisco Gonçalves disse...

Vim cá só marcar presença... para não deixar de constar na tua lista... impressionante o que uma conversa de sexta-feira à noite origina!!!! Grande Jelekinha

Um Abraço Varandas... do amigo

Tinês disse...

E de onde vem este teu desabafo, Varandas?
Fiquei curiosa...

E achei "graça" à coincidência (que não tem graça nenhuma): ultimamente tenho questionado bastante essa coisa da "amizade" e dos "amigos".
Fica a proposta para falarmos sobre isso um dia; ou será que eu sou uma amiga de outro tema?

RRITA disse...

Por acaso até te estou a imaginar com um ficheirinho excel a dar a pontuação diária a cada um, nas milhares de colunas sobre os pormenores a avaliar...
;)

Concordo com a perda de tempo, com os amigos temáticos, com o não pior amigo, basicamente com tudo!

O post está muito bom e dá que pensar.

Mas sabes o que te digo? É tudo muito relativo para se poder dizer se é simples ou complexo.
Adaptamo-nos, aproximamo-nos, afastamo-nos, conquistamo-nos, perdemo-nos, recuperamo-nos, tudo vai mudando e, quando vale a pena, o importante vai ficando!

E depois há sempre incidentes que permitem que duas pessoas passem a ser amigas ;)
E depois disso?! Ahh já não há volta a dar! A amizade é um passe verde para desculpar todos as asneiras, um bilhete de ida e volta sem prazos! :)

bjinho

Ana disse...

Muito bem dito! :)

A amizade é "O" sentimento...

Nenhum caminho é longo demais quando um amigo nos acompanha...

Bjocas*

13@ disse...

para que conste, eu não sou tua amiga. Só para matares saudades....

guntchalinho disse...

Gostava de ter tempo para comentar este post como deve ser... mas não tenho.
Portanto limito-me a concordar com o que dizes, porque também eu tenho uma personalidade camaleónica que me permite - felizmente - dar-me com praticamente todo o tipo de pessoas. E não me preocupa se são amigos ou não. São pessoas, que fazem parte da minha vida, umas mais, outras menos, todas com um significado único e singular.

Há amigos que eu não faria questão ver tantas vezes como vejo.

E há amigos com quem lamento não poder estar mais tempo.

Mas não deixo de considerar amigo NENHUM deles!!!

Bah. Bota lá. Abraço...