Synecdoque, New York

Ponto prévio: Sou apreciador confesso do estilo de Charlie Kaufman, por se tratar de um argumentista diferente, um criativo por excelência como poucos. Gosto do estilo metafórico que ele frequentemente utiliza (Being John Malkovich, Inadaptado) e dos argumentos complexos e inventivos de que é exemplo máximo um dos meus filmes preferidos, o Despertar da Mente.

Em Synecdoche, New York, Kaufman arrisca mais, muito mais. Trata-se de um dos argumentos mais pretensiosos e complexos de todos os tempos, o que é sempre de louvar mas acarreta algumas desvantagens. Aqui Kaufman aproxima-se perigosamente do universo de David Lynch, um universo que eu não aprecio particularmente pois torna-se demasiado dúbio e objecto de várias interpretações. E isso é que já não me convence – se um argumento complexo me agarra à cadeira e me faz queimar neurónios com um objectivo, fico satisfeito. Mas a partir do momento em que a história é tão vaga que não tem uma interpretação correcta, já me parece que estão a abusar do bom senso do espectador.

Concentremo-nos no filme, que pode ser resumido como a história de um artista que tenta recriar uma Nova Iorque em ponto pequeno incluindo a sua própria história - uma obra maior que a própria vida. Philip Seymour Hoffmann confirma (com uma interpretação soberba!) que é um dos maiores da actualidade e o elenco feminino é vasto e fortíssimo. O casting de Emily Watson/Samantha Morton, então, é perfeito. E a intensa carga dramática persegue-nos o tempo todo, por todas as ruas da cidade verdadeira mas também da cidade falsa. Synecdoche, New York é uma viagem alucinante na mente de um homem amargurado, mortificado. E é uma viagem que não se esquece tão cedo...

Agora compreendo porque é que Synecdoche, New York não estreou em mais salas – a verdade é que não está direccionado para o grande público e não é um filme que agrade a todos, está muito longe disso. A mim não me agradou tanto como esperava devido à tal falta de objectividade. Mas é de desfrutar e, provavelmente, de ver mais que uma vez para o compreender. Talvez...

Classificação: 15

1 comentário:

ana disse...

Ponto 2 cumprido =)
**